Espetáculo trata do encontro virtual entre duas pessoas. No elenco Helô Cintra e João Paulo. Elias Andreato assina a direção, Tânia Bondezan a direção de movimento. Daniel Maia criou a música, Laura Huzak fez o figurino, a luz é de Marcelo Lazzaratto

Na encenação intimista, o espectador é um voyeur espiando pelo buraco da fechadura uma história de 45 minutos. Bem próximo do cenário, observa tudo de muito perto, como se a trama fosse contada só para ele. Esta é a encenação concebida por Elias Andreato para Decifra-te ou Me Devora. Depois de seis meses de criação e ensaio, o espetáculo – escrito a seis mãos, o diretor junto os atores Helô Cintra e João Paulo Lorenzon – estreia dia 5 de fevereiro, sábado às 21 horas no Miniteatro. A direção de movimento é de Tânia Bondezan.
Um homem e uma mulher se conhecem pela internet e, por meio de perguntas metafóricas, um tenta entender o outro. No bate papo virtual, se comunicam por meio de textos de escritores e poetas, como Jean Tardieu, Cacaso, Paul Celan e Herberto Helder, entre outros, como uma busca pelo diálogo belo e ideal.

Quando o casal se fala pela primeira vez ao telefone, um novo dado aparece – a voz. As camadas virtuais vão caindo, uma a uma, até que os dois se encontram de fato, corpo a corpo. A peça investiga a obsessão em conhecer o ser amado o máximo possível, em torná-lo decifrável e decodificado.

A montagem

Elias Andreato também assina o cenário, representado por uma cama de casal onde acontece quase toda a ação. Os atores ficam 90% do espetáculo sobre a cama, usada como uma tela em branco preenchida por projeções e pela própria cena.

O figurino é de Laura Huzak, a luz de Marcelo Lazzaratto. Projeções, da Bivolt Produções, permeiam a peça com trilha sonora criada por Daniel Maia e composta por músicas cantadas em francês (as letras das composições são poemas de Elias Andreato traduzidos para o francês).

O diretor optou pelo francês por achar a língua que mais se aproxima da idéia de uma sonoridade amorosa e sexual. Tudo para dar uma mistura de sonho, devaneio, desejo e delírio com realidade. “A encenação sugere o mistério, quer a sensualidade das nossas fantasias, nem tudo o que é dito precisa ser entendido apenas ser sentido, quero viajar nas sensações do outro e revelar as minhas. Decifra-te ou me devora para entender aquilo que não sabemos. Só através da antropofagia é que podemos saciar nossa consciência do outro”, comenta Elias sobre a montagem.

Tendo a morte como parte do amor, a peça toca no que morre em alguém quando está absolutamente entregue a outro. A partir do poema de Jean Tardieu, Um novo enigma para Édipo, a obra investiga as perguntas, os mistérios e abismos que acompanham o amor.

“Gostar de outro é querer decifrá-lo? Ao decifrar o outro o amor morre? O encontro com o amor é a morte da sua individualidade? O outro tem as respostas que você precisa? Temos medo do outro?”, comenta Helô Cintra sobre as questões do espetáculo.

Sobre o amor nos tempos atuais, Elias acredita ser impossível falar do tema sem pensar no virtual. “Nosso ser amado está do lado de lá, oculto e misterioso, se revela quando quer. Sem sabermos de quem se trata, já estamos completamente apaixonados e arrebatados por ele. Nossos príncipes e princesas cavalgam teclando nossos corações”, reflete.

Os criadores

Os três criadores deste projeto, em diferentes momentos e intensidades, já passaram pelo processo de construir um novo texto a partir de referências literárias, e agora escolhem fazer isso em parceria. No caso de Elias Andreato, em Van Gogh (2003), usou as cartas de Théo, irmão do pintor, para construir seu premiado monólogo, dirigido por Márcia Abujamra. Em Oscar Wilde (1997) fez o mesmo, criando um monólogo sobre o Wilde dirigido por Vivien Buckup. Recentemente, em Doido (2009), dirigido por ele mesmo, escreveu um monólogo sobre o ator, se utilizando, desta vez, de diversos autores, como Fernando Pessoa, Shakespeare e Artaud, entre outros.

João Paulo Lorenzon concebeu seu monólogo Memória do Mundo, a partir de textos do escritor Jorge Luis Borges. O espetáculo foi dirigido por Élcio Nogueira e cumpriu temporada no SESC Av. Paulista, Viga Espaço Cênico e Casa das Rosas. Heloisa Cintra fez, na Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, da qual fez parte por 9 anos, um espetáculo que utilizava 10 diferentes autores para falar de Amor, o Amor de Improviso, dirigido por Marcelo Lazzaratto.

Depois dos espetáculos solo citados acima, em que era o responsável pela compilação dos textos, agora Elias Andreato assina a obra em conjunto com os atores. “Eles desejavam fazer um espetáculo sobre o amor. Apresentaram a mim um poema que seria a linha mestra, que definia a sua vontade. Tive a idéia de usar a linguagem virtual, muito presente no nosso cotidiano para falar de amor, com a profundidade e o universo poético de vários pensadores. Cada um foi buscar o que mais lhe tocava e, juntamos tudo. Assim, fui construindo o nosso roteiro”, explica Elias Andreato.

De acordo com Helô, “quando mostramos ao Elias o poema Um Enigma Para Édipo, de Jean Tardieu, ele logo vislumbrou o caminho da peça – dois mundos solitários conversando virtualmente. Era o começo. Depois, experimentamos tudo na sala de ensaio e só então realmente o roteiro original foi lapidado. Quando as palavras foram para a cena, Elias sentiu o que era teatral e cabia na história. Sinto-me sortuda e privilegiada com este encontro de trabalho e de vida”.

Intertítulo

Para Elias, é emocionante trabalhar com a mesma equipe 10 anos depois – Só Mais um Instante, de Marta Góes, marcou o primeiro encontro de Helô Cintra, João Paulo Lorenzon e Tânia Bondezan. “É gratificante perceber o crescimento de todos nós e como o teatro nos permite a observação e o estudo profundo de nossos sentimentos. João e Helô não são mais apenas dois jovens talentosos, são dois colegas de trabalho dedicados e atentos, extremamente amorosos com o teatro. A Tânia, minha amiga encantadora e parceira.”

“Minha personagem é uma mulher, um arquétipo feminino, com particularidades do gênero. Solitária, busca no encontro com outro o remédio, o famoso happy end”, afirma Helô Cintra sobre seu papel. O homen de João Paulo Lorenzon é também um solitário, ele vive à caça do amor, da mulher ideal mas sem conseguir fugir das próprias armadilhas.

João Paulo vem de três monólogos seguidos – “Memória do Mundo”, dirigido por Élcio Nogueira, “O Funâmbulo”, dirigido por . “Assim, essa nova história tem um caráter especial para mim. Helô é delicada e forte. Linda, mas não faz disso um patrimônio, e vem buscando se entregar cada vez mais. Elias é o maior. Quando o vejo em cena entendo o que é arte, o que um artista vivo pode fazer e quais são as possibilidades que o teatro tem. Uma honra essa equipe, com a Tânia ainda dando o acabamento. E é muito bom ter um texto que enche a boca.”

Serviço

Decifra-te ou Me Devora – Estreou 5 de fevereiro de 2011. Temporada: sábados às 21h e domingos às 19h e 20h30 – Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Texto: Elias Andreato, Helô Cintra e João Paulo Lorenzon. Direção: Elias Andreato. Elenco: Helô Cintra e João Paulo Lorenzon. Cenário: Elias Andreato. Trilha Sonora: Daniel Maia. Assistência de direção e preparação corporal: Tânia Bondezan. Figurino: Laura Huzak Andreato. Vídeos: Bivolt Produções. Fotógrafo: João Caldas. Produção: Helô Cintra.

MINITEATRO – Praça Roosevelt, 108. Telefone: (11) 2865-5955. Cartões de débito, cheque e dinheiro. Horário de funcionamento da bilheteria: Sexta-feira – a partir das 19 horas. Sábados e domingos – a partir das 14 horas. Com ar condicionado. Capacidade: 30 lugares

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Ficha Técnica

Roteiro e Texto*: Elias Andreato, Helô Cintra e João Paulo Lorenzon
Direção: Elias Andreato
Elenco: Helô Cintra e João Paulo Lorenzon
Direção de movimento: Tânia Bondezan
Música original: Daniel Maia, composta a partir de poemas de Elias Andreato traduzidos para o francês por Sandra Schaffa
Cenário: Elias Andreato
Desenho de luz: Marcelo Lazzaratto
Figurino: Laura Huzak Andreato
Vídeos: Daniela Álvares e Luiza Zanoni
Fotos: João Caldas
Programação visual: Dahn’ Scriba
Assessoria de imprensa: Arteplural
Edição de imagens: Paula Manzo
Técnico de luz e som: Marcelo Violla
Estagiário de luz e som: Vinícius Flauaus
Produção executiva: Bivolt Produções
Direção de produção: Helô Cintra

* Baseado nas obras de Jean Tardieu, Maiakóvski, Bertold Brecht, Paul Celan, Herberto Helder, Benjamin Péret e Roland Barthes